quarta-feira, 23 de maio de 2012

Sinto


Era uma coisa bem simbólica e amena.
Você andando do meu lado,
Rio branco, Castelo, Mem de Sá...
Em cada rua uma cena.
Fazendo fila pro salgado.
Te procurando pelo Mam
as quatro da manhã.
Em vão...
Eu sei, também fui parte do problema.
Eu sinto tanto
Por tudo...

Nas cordas..


Eu fiquei te olhando
Para ver se te achava lá encima.
Por entre as frestas do palco.
Pendurado nas cordas da construção.
Sei lá, vai que rolasse um clima?
Ou qualquer outra encenação.
Eis que surgiu a dúvida:
Você, amor...será?
Em frente à Câmara,
despedaçando meu coração.

Se eu tivesse uma câmera...


domingo, 6 de maio de 2012

Um poeta

O poeta se faz no caos.
Não posso acordar as seis da manhã.
Tomar o café sobre a mesa já posta,
os remédios no horário.
O banho do dia
para trabalhar no escritório.
E ser poeta.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

O vestido


No dia da minha festa de formatura
até bastante prematura.
Vi no céu uma lua nova.
Minha  madrasta com pé na cova.
No pé do meu ouvido,
abotoando o meu vestido
com um olhar de quem aprova
a prova a qual eu estava fadada.
Eu, longe da minha cidade.
Aos 16 anos de idade.
Não entendia nada.

Era noite de gala.
Daquelas dos filmes Estadounidenses.
E eu, quase uma Estadounidense
reproduzindo a roupa, a fala.
Vinda da capital Fluminense.
Carregara na mala
além de roupas e sapatos
algumas saudades com retratos.
Partira do meu pequeno mundo
á um abismo profundo
de perda e conhecimento.

Bem naquele dia.
No qual eu celebraria
o término do meu colegial.
E também minha despedida
de volta ao país tropical.
Me senti perdida.
Tive a minha pior crise existencial.

Um vestido rosa com purpurina.
Um penteado à moda Inglesa.
Minha madrasta com a mão encima
ajeitando a flor do meu cabelo.
Como se eu fosse uma modelo
a desfilar pra realeza.
Foi o estopim pra minha tristeza.
No rosto, batom, rímel e sombra.
Praquela família burguesa
era sinônimo de beleza.
Eu, que já nem tinha mais sombra.
Nem amigos, nem identidade.
Me vi presa na falsidade.

Depois de arrumada.
No espelho, a imagem desfocada.
Quem era aquela menina
de lastimosa sina?
Parecia um manequim.
Olhava fixo pra mim
perguntando se ela existe.
Eu, que já mal conseguira vê-la
e quase chorando de triste,
me conformei com tal mazela.
Qual a gente desonesta
ao ver chegar o carro da janela,
ignorei a menina do espelho
e parti calada pra festa.

Clarice

Clarice era uma mulher diferente.
Cantava repente
num povaréu do Nordeste.
Mesmo que de repente
acometesse uma peste
que devorara a lavoura.
E ela, escrava do clima
perdia batata, tomate, cenoura.
Mas a nossa heroína
como quem não desanima
pegou o bonde da trupe circense.
Partiu pra capital Fluminense
a cantar repente.
Mesmo que de repente
ninguém entendesse.
Clarice era além dessa gente.

Lapa

A rua.
Tudo que há nela,
revela.
Esquina com Joaquim silva,
ali sim eu tava viva.
Ai que saudade
eu tenho da escadaria.
Meu lar era a felicidade,
meu peito: pura poesia.
Eu só queria essa vida.
Ratos diversos
me transportava a outro mundo.
Quantos universos!
Qual magia
que em mim se instalava.
E eu sonhava.
Eu que não entendia nada.
Não conhecia o perigo
nem os passos da estrada.
Me perdi na madrugada.
Lapa.
Não era só a minha casa
mas toda uma morada
do meu coração.



Palacetes

Eu poderia estar em qualquer palacete.
Na Barra, Lagoa, ou no Catete.
Viver presa numa sala-cela,
Ignorar que a vida é bela...
Mas me pergunta se eu quero?
Vou dizer: é o cacete!

El hombre...

¿Qué es el hombre?
Sino ser sin sentido.
Ser sin haber sido
nada.
Yo prefiero no saber
para sentir.
Ah! El hombre!
Vacío
y nada más.