sexta-feira, 4 de maio de 2012
O vestido
No dia da minha festa de formatura
até bastante prematura.
Vi no céu uma lua nova.
Minha madrasta com pé na cova.
No pé do meu ouvido,
abotoando o meu vestido
com um olhar de quem aprova
a prova a qual eu estava fadada.
Eu, longe da minha cidade.
Aos 16 anos de idade.
Não entendia nada.
Era noite de gala.
Daquelas dos filmes Estadounidenses.
E eu, quase uma Estadounidense
reproduzindo a roupa, a fala.
Vinda da capital Fluminense.
Carregara na mala
além de roupas e sapatos
algumas saudades com retratos.
Partira do meu pequeno mundo
á um abismo profundo
de perda e conhecimento.
Bem naquele dia.
No qual eu celebraria
o término do meu colegial.
E também minha despedida
de volta ao país tropical.
Me senti perdida.
Tive a minha pior crise existencial.
Um vestido rosa com purpurina.
Um penteado à moda Inglesa.
Minha madrasta com a mão encima
ajeitando a flor do meu cabelo.
Como se eu fosse uma modelo
a desfilar pra realeza.
Foi o estopim pra minha tristeza.
No rosto, batom, rímel e sombra.
Praquela família burguesa
era sinônimo de beleza.
Eu, que já nem tinha mais sombra.
Nem amigos, nem identidade.
Me vi presa na falsidade.
Depois de arrumada.
No espelho, a imagem desfocada.
Quem era aquela menina
de lastimosa sina?
Parecia um manequim.
Olhava fixo pra mim
perguntando se ela existe.
Eu, que já mal conseguira vê-la
e quase chorando de triste,
me conformei com tal mazela.
Qual a gente desonesta
ao ver chegar o carro da janela,
ignorei a menina do espelho
e parti calada pra festa.
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