Por ser
analfabeto formal
não me
ensinou a matemática e suas operações.
Tampouco
as regras gramaticais.
Me
ensinou mais:
Não
existe regra no mundo
capaz de
conter as emoções.
Morador
de rua
dos
jardins do Mam.
Quando
eu tinha o teto pra olhar
ele me
mostrava a lua.
E se o
cheiro cheirasse a poeira
ou o
odor dos becos mijados.
Não me
importa.
Os
engomados ensabonetados
da Barra
fediam pior.
Ele
estava além de mim em tudo.
Quando
me mostrou o cinema mudo
e dizia
“Charli Chapli”.
Imerso
no telão, alucinado.
Desbancava
qualquer doutorado.
E eu,
torpe e tapada
me perdi
atrás da fala.
Mulato
cor de canela.
Era pra
ser uma brincadeira.