sexta-feira, 29 de junho de 2012

Brincadeira.


Por ser analfabeto formal
não me ensinou a matemática e suas operações.
Tampouco as regras gramaticais.
Me ensinou mais:
Não existe regra no mundo
capaz de conter as emoções.
Morador de rua
dos jardins do Mam.
Quando eu tinha o teto pra olhar
ele me mostrava a lua.
E se o cheiro cheirasse a poeira
ou o odor dos becos mijados.
Não me importa.
Os engomados ensabonetados
da Barra fediam pior.
Ele estava além de mim em tudo.
Quando me mostrou o cinema mudo
e dizia “Charli Chapli”.
Imerso no telão, alucinado.
Desbancava qualquer doutorado.
E eu, torpe e tapada
me perdi atrás da fala.
Mulato cor de canela.
Era pra ser uma brincadeira.

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