quinta-feira, 14 de junho de 2012

Esse poema..


Essa letra vai pra quem
na fila de um hospital
agonizou e morreu.
Mais uma vítima fatal
da incompetência do estado.
Essa é pra quem teve o casamento arranjado.
E o culpado?
Não se sabe, não se fala.
Essa letra é pra quem não cala.
Quem nos becos escuros da vida
de minisaia, foi estuprada.
E só ouviu “mereceu, era safada.”
Essa é pra danada
que adora dar a buceta
e por isso é discriminada.
Também vai pro morador de rua
que por gosto ou necessidade
não tem a liberdade
de dormir com a lua.
Essa vai pra sua
e pra minha grade.
E pra quem leva tapa de polícia
por ser negro e pobre.
Não sai na notícia,
a mídia encobre.
Essa é pro analfabeto
que queria ler e escrever
mas não tinha nem um teto
pra sobreviver.
E pros que tinham casas nas favelas
e ficaram sem elas
por conta da especulação imobiliária.
Essa é pra Natália
que gostava da Carla
e por isso foi parar no sanatório mental.
Pobre sanatório de lúcidos.
Pobre sociedade insana...

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