segunda-feira, 27 de agosto de 2012

138

Tíbio o vento da janela.
Uma valsa no computador.
Sozinha ao breu.
As cigarrilhas e eu.
Os meus amigos já se foram.
E aquelas tardes de poesia?
E a nossa rebeldia?
Ratos marginais sangrando.
O vinho na geladeira
e a noite inteira
trocando-se.
Rua dos Inválidos 138.
Não sabia que meu coração
tinha esse número.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Ditadura

1968, ditadura.
Humanos jogados nos porões.
Assassinatos, tortura.
Artistas levados pras prisões.
Grande mídia, censura.
Governo militar, muitos feridos.
Rebeldes desaparecidos.
2012, democracia.
Humanos jogados nos lixões.
Choque de ordem, covardia.
Brasil para os ricos.
Para os pobres, remoções.
Grande mídia, censura.
Governo fascista, muitos excluídos.
Pobres desaparecidos.
2012, ditadura.

domingo, 1 de julho de 2012

Eles.

Mas olhem eles. Que constituem famílias, constroem casas. Têm emprego fixo, ganham bem e vão para o exterior. Não viajam pros seus interiores. Eles estão sempre calmos e seguros. Posam sorridentes nas fotos. Seguem as leis e os bons modos. Eles comem bem, vestem roupas de marca. Dormem em teto coberto. Fazem o que é certo. Gostam de acumular objetos. Eles constantemente se orgulham das suas conquistas econômicas. Guiam os seus dias pelo relógio. Acham que o correto é se poupar para chegar aos cem anos de idade.
Ainda bem que eu não sou eles.

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Brincadeira.


Por ser analfabeto formal
não me ensinou a matemática e suas operações.
Tampouco as regras gramaticais.
Me ensinou mais:
Não existe regra no mundo
capaz de conter as emoções.
Morador de rua
dos jardins do Mam.
Quando eu tinha o teto pra olhar
ele me mostrava a lua.
E se o cheiro cheirasse a poeira
ou o odor dos becos mijados.
Não me importa.
Os engomados ensabonetados
da Barra fediam pior.
Ele estava além de mim em tudo.
Quando me mostrou o cinema mudo
e dizia “Charli Chapli”.
Imerso no telão, alucinado.
Desbancava qualquer doutorado.
E eu, torpe e tapada
me perdi atrás da fala.
Mulato cor de canela.
Era pra ser uma brincadeira.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Qualquer coisa.

Tentando escapatória
dos carinhos hipócritas
e da falsa alegria.
Foi dormir numa pensão na Glória
e se desprender de moradia.
Encontrou na poesia
seu refugio, sua companhia.
Algum trago desse vinho.
Qualquer caminho
que a levasse pra ver o sol.
Qualquer coisa que sirva,
que se sinta!
Nenhuma emoção contida.
Mas a pobre da nossa amiga,
sem alternativa.
Aos vinte e dois anos de idade
foi morta pela sociedade.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Esse poema..


Essa letra vai pra quem
na fila de um hospital
agonizou e morreu.
Mais uma vítima fatal
da incompetência do estado.
Essa é pra quem teve o casamento arranjado.
E o culpado?
Não se sabe, não se fala.
Essa letra é pra quem não cala.
Quem nos becos escuros da vida
de minisaia, foi estuprada.
E só ouviu “mereceu, era safada.”
Essa é pra danada
que adora dar a buceta
e por isso é discriminada.
Também vai pro morador de rua
que por gosto ou necessidade
não tem a liberdade
de dormir com a lua.
Essa vai pra sua
e pra minha grade.
E pra quem leva tapa de polícia
por ser negro e pobre.
Não sai na notícia,
a mídia encobre.
Essa é pro analfabeto
que queria ler e escrever
mas não tinha nem um teto
pra sobreviver.
E pros que tinham casas nas favelas
e ficaram sem elas
por conta da especulação imobiliária.
Essa é pra Natália
que gostava da Carla
e por isso foi parar no sanatório mental.
Pobre sanatório de lúcidos.
Pobre sociedade insana...

Num ponto...


No mundo há seis bilhões de habitantes.
Uns na China, outros na Nigéria ou na Suécia.
Tanta gente.
Seis bilhões
e eu.
Num ponto entre o Atlântico e o pacífico.
Numa rua estreita e torta.
Só.

domingo, 3 de junho de 2012

O choque, a ordem.


Choque de ordem
recolhe o pobre.
Que dorme intranquilo
nos bosques do MAM.
Se tenta sonhar,
não dá: cassetete.
“Pra dentro da van.”
Levado pra onde?
Bem longe.
Aonde a miséria se esconde.
Se fala, de lanche: balas de fuzil.
BRASIL.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Sinto


Era uma coisa bem simbólica e amena.
Você andando do meu lado,
Rio branco, Castelo, Mem de Sá...
Em cada rua uma cena.
Fazendo fila pro salgado.
Te procurando pelo Mam
as quatro da manhã.
Em vão...
Eu sei, também fui parte do problema.
Eu sinto tanto
Por tudo...

Nas cordas..


Eu fiquei te olhando
Para ver se te achava lá encima.
Por entre as frestas do palco.
Pendurado nas cordas da construção.
Sei lá, vai que rolasse um clima?
Ou qualquer outra encenação.
Eis que surgiu a dúvida:
Você, amor...será?
Em frente à Câmara,
despedaçando meu coração.

Se eu tivesse uma câmera...


domingo, 6 de maio de 2012

Um poeta

O poeta se faz no caos.
Não posso acordar as seis da manhã.
Tomar o café sobre a mesa já posta,
os remédios no horário.
O banho do dia
para trabalhar no escritório.
E ser poeta.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

O vestido


No dia da minha festa de formatura
até bastante prematura.
Vi no céu uma lua nova.
Minha  madrasta com pé na cova.
No pé do meu ouvido,
abotoando o meu vestido
com um olhar de quem aprova
a prova a qual eu estava fadada.
Eu, longe da minha cidade.
Aos 16 anos de idade.
Não entendia nada.

Era noite de gala.
Daquelas dos filmes Estadounidenses.
E eu, quase uma Estadounidense
reproduzindo a roupa, a fala.
Vinda da capital Fluminense.
Carregara na mala
além de roupas e sapatos
algumas saudades com retratos.
Partira do meu pequeno mundo
á um abismo profundo
de perda e conhecimento.

Bem naquele dia.
No qual eu celebraria
o término do meu colegial.
E também minha despedida
de volta ao país tropical.
Me senti perdida.
Tive a minha pior crise existencial.

Um vestido rosa com purpurina.
Um penteado à moda Inglesa.
Minha madrasta com a mão encima
ajeitando a flor do meu cabelo.
Como se eu fosse uma modelo
a desfilar pra realeza.
Foi o estopim pra minha tristeza.
No rosto, batom, rímel e sombra.
Praquela família burguesa
era sinônimo de beleza.
Eu, que já nem tinha mais sombra.
Nem amigos, nem identidade.
Me vi presa na falsidade.

Depois de arrumada.
No espelho, a imagem desfocada.
Quem era aquela menina
de lastimosa sina?
Parecia um manequim.
Olhava fixo pra mim
perguntando se ela existe.
Eu, que já mal conseguira vê-la
e quase chorando de triste,
me conformei com tal mazela.
Qual a gente desonesta
ao ver chegar o carro da janela,
ignorei a menina do espelho
e parti calada pra festa.

Clarice

Clarice era uma mulher diferente.
Cantava repente
num povaréu do Nordeste.
Mesmo que de repente
acometesse uma peste
que devorara a lavoura.
E ela, escrava do clima
perdia batata, tomate, cenoura.
Mas a nossa heroína
como quem não desanima
pegou o bonde da trupe circense.
Partiu pra capital Fluminense
a cantar repente.
Mesmo que de repente
ninguém entendesse.
Clarice era além dessa gente.

Lapa

A rua.
Tudo que há nela,
revela.
Esquina com Joaquim silva,
ali sim eu tava viva.
Ai que saudade
eu tenho da escadaria.
Meu lar era a felicidade,
meu peito: pura poesia.
Eu só queria essa vida.
Ratos diversos
me transportava a outro mundo.
Quantos universos!
Qual magia
que em mim se instalava.
E eu sonhava.
Eu que não entendia nada.
Não conhecia o perigo
nem os passos da estrada.
Me perdi na madrugada.
Lapa.
Não era só a minha casa
mas toda uma morada
do meu coração.



Palacetes

Eu poderia estar em qualquer palacete.
Na Barra, Lagoa, ou no Catete.
Viver presa numa sala-cela,
Ignorar que a vida é bela...
Mas me pergunta se eu quero?
Vou dizer: é o cacete!

El hombre...

¿Qué es el hombre?
Sino ser sin sentido.
Ser sin haber sido
nada.
Yo prefiero no saber
para sentir.
Ah! El hombre!
Vacío
y nada más.

domingo, 29 de abril de 2012

Às violações

Cinco da madrugada
bem em frente à escada.
Quatro corações livres e lindos
pela homofobia dilacerados.
Os agressores, uma manada.
Pau, pedra e muita raiva.
Os quatro amigos no desespero
lutando contra um mundo inteiro
de ódio e negligência.
Enquanto o povo adestrado
vibrava calado.
Nossos guerreiros foram espancados.
Bravamente resistindo
escaparam rumo à delegacia.
Mas pra sua agonia
os funcionários rindo
e utilizando-se da burocracia
deixaram a queixa arquivada.
Todas as portas fechadas.
Suas vidas não valem nada.
Esse triste episódio
de intolerância e ódio
podia ser comigo ou com você.
Abusos, repressões
e tantas outras sutis violências.
Que acontecem diariamente
não aparecem na tevê.
O SILÊNCIO É MEDO.

domingo, 1 de abril de 2012

Bonita


Eu sei.
Também não gosto de cantada.
Mas você é tão bonita
quanto o céu da madrugada.
Quanto a manhã ensolarada.
Que me deixa a alma rasgada.

domingo, 25 de março de 2012

Viagem.


Eu quero ir embora dessa cidade
ver os passáros em outro céu.
Sentir meus pés na liberdade
eu queria  ver Manuel...
Ver Manuel e sua loucura
quero deitar-me na sua cama.

Ou navegar em terras alheias
Desaguar n´algum Juan,
ou num Rodrigo, Jorge
Clarice...

Alguém que devagar ouvisse,
as ondas......

Nos braços de um grande amor,
ao som do violão,
dormir nos lençois
do Maranhão.

Ou no sexo de um qualquer,
morrendo de prazer.
Noite alta em Buenos aires,
a me desatinar por entre os bares
e olhares, fugazes..

Eu quero ouvir maracatu, xaxado, baião.
Quero dançar o frevo nas ladeiras.
Ver os capitães da areia!
Levar meu bloco pra multidão

Praia do Forte,
aventurar-me pelo Norte.
E em Natal,
querer amar no plural.

Mas se no final  
Se eu, mesmo após rodar o mundo,
me sentir sozinha.
Que me dissolva então de tudo,
Rodrigos, Clarices, os bares.
E que minha infinita viagem
Me leve ao coração da mata selvagem,
A natureza e eu,
só. 



quarta-feira, 21 de março de 2012

Sei que a vida não faz sentido.
Por isso me acalmo,
me salvo.
Sozinha no mundo,
não percebo nada.
Ando devagar,
sem rumo.
Vou sem direção.
Confusa no meu tempo,
sem lar, sem um irmão.
Vou por onde for.
Eu sei, eles tem razão.
Mas eu não me importo.
Eu entendo a confusão.

Opio

Quiero el opio de los poetas
y ni menos locura.
Quiero la eterna luz fugás
al despertarme.
La oscuridad me ahoga
y no hay salvación!
Más brillantina!
Púrpura, rosada, gris...
colores, colores!
Envejecerme de amores.
Quiero, anhelo
y ni pido tanto.
Bicicletas, pastillas.
Ahogarme en el sueño
tres días.
Ahogarme en el pozo
en la vida.
Y ni más salvación.

Átomo

A vida é bela.
Mas quantos irmãos
passando fome.
Nun canto da rua
vejo o cantar da vida.
Bonita.
Ela é bonita.
Crianças passam,
correm, riem.
Nada nunca igual.
Mas os homens tão matando lá fora!
Um colibri pousa, olha, vai embora.
Do outro lado um menino chora.
Um pobre sobrevive.
No bosque as folhas cantam,
o verde brilha.
Tanta beleza.
E os homens lá tão botando fogo!
Continuo andando
e um gato é atropelado,
um inocente já foi espancado.
Tudo tão rápido.
Sento então no verde
e falo com a folha.
Percebo ao fim minha impotência  humana.
Entro no ônibus
e esqueço do gato, do menino...
Feliz,
enfim feliz.
Um átomo no universo
e mais nada.

Nonsense.

Nonsense,
makes sense.
I felt
someday, somehow,
something.
I don´t know what it was.
There was no reason at all.
Nonsense.

Yo, mentira.

Camino entre árboles,
hojas verdes,
sueños dulces.
Manos revoltosas,
revuelven planes
de algún otro ayer.
Miradas de lado
llorando,
decepcionadas.
Todo un pasado
tirado, botado,
olvidado.
Toda una vida
y nisiquiera recuerdos.
Papeles, cartas,
quemadas!
Alguién que fui algún día.
Mentira!
Alguién, a lo lejos
me mira.
(refleja, ignora)
Ignóbil.
Expresiones fingidas.
Mentira.

domingo, 18 de março de 2012

Como irme..


¿Cómo quieres que me vaya
amor?
Si nos hemos probado la sangre

y el sudor.
¿Cómo quieres que duerma
si nunca me he despertado?
Dime, como he de dejarte
cuando tus ojos no me dejan.
Pues si al amarte
renuncié a todo un mundo.
    - Y las entrañas aún me queman.
¿Cómo amor?
Si nos hemos herido
en carne, sangre 
y dolor.
Como esperar un adiós
cuando mi lengua se calla
por estar con tu lengua.
Explicame como sentir sin ti.
Si mis dedos no perciben nada
que no sea tu piel.
Si  mi boca ya no distingue ni amargo ni dulce
porque todo sabe a ti.
¿Cómo seguir
si mi cuerpo se pego al tuyo?
Si tus labios insisten en besarme
cuando te encuentras adentro de mí.
 Dime, amor, como me iré
si dejarte es dejarme.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                    

À toa


Eu tava à toa na vida,
andando por ai,
imaginando mil cenas.
Não era nada demais.
Tava devagar..
acordando e dormindo
como quem não espera nada.
Como quem tá morto.
E de repente você chegou.
Sua voz, seu sorriso.
Você.
Eu fiquei feliz.

Leve


Em letras de neon,
em  cartazes, canções e frases
O amor me persegue.
Amor!
Que tolice!

Eu quero mais é que você
vá embora.
Não esqueça o agasalho,
que eu quero esquecer
o que me restou de nós.
Jogue fora por favor as cartas,
as marcas, as nossas quartas.
Deixe aqui meu coração!
Pode levar as suas músicas,
seu cheiro, suas gírias.
Pode levar a memória.
Vai, lave o sexo, o tempo
as palavras.
Traga o esquecimento.
Se você apenas não me amava
ou se foi um outro alguém.
Não sei meu bem.
Leve teus lábios doces 
e declarações vazias.
Me deixe a dor
A solidão.


Vá, ao despertar                   
me deixe dormindo por favor
e tampouco esqueça
de apagar o despertador                                                                                                                                                                                                                                                        
-  antes que eu enlouqueça.

Anda, deixa eu me ausentar
do terrível som de motores
e carros a buzinar.
Me deixe em sonho com tambores!                                                                                          

Tampe bem a cortina
 antes que o sol arda em minha retina.
Quero que o espetáculo do dia
guarde para mais tarde sua poesia.
Não, não quero ver
o trânsito da cidade
e nem a sobriedade
daqueles que carregam consigo pastas.

Enquanto estiver sonhando
 o mundo pode correr
com planos e ambições
que pra mim tá tudo bem.

Lucia y el miedo


Ah, se você tão só se desse conta, Lucia.
Não temeria
nem o mar nem o amor.
Olhe pro céu
Lucia.
Tanto brilho, tantas cores
e não sente nada?
Olhe as estrelas e sinta teu corpo
voando.
Se voce tão só enterrasse o passado,
esquecesse o medo.
Lucia, Lucia..
Se ao menos tentasse
a vida não seria
mera espera.
Não mais se aflita
sinta.
A vida é bonita
quando se arrisca,
quando se erra.
A vida,
esse troço pulsando na veia.
Essa coisa inexplicável de estar no mundo!
De sentir tudo.
Lucia,
tanto mar e tanto amor
e eu gostaria
que você olhasse pra fora.
Que você fosse embora,
dessa casa, dessa rotina,
desses panos maltrapilhos que te sufocam.
Dessa gaiola de moça certa que te cega.
Gostaria que jogasse fora
os caixotes embutidos no armário
com poses e retratos
dos que já partiram.
Lucia,
quantos sonhos ignorados?
Quanto amor não distrubuido?
Quanta vida que poderia ter sido
se não fosse a preocupação?
Quanta negação
quando o que se pedia era nada.
Ah Lucia...

Na mata.


Do mar terei saudade
amor,
Mas eu  tenho mesmo é vontade
De morar no interior...

Vou viver no meio do mato
e só ter a certeza do sol a brilhar
amor...


-Patricia D. Rocha


"Meu rancho de palha lala
Meu campo de malha lala
Um rosto na talha lala
E a chuva na calha lala

Cidadão da mata... eu sou
Cidadão da mata... eu sou"

-Baiano e Os novos Caetanos

domingo, 11 de março de 2012

Madrugada.


Viro noites,
madrugadas,
bêbada.
E você tão só me olha,
calada.
Faço versos, fico louca.
Te procuro pela escada.
Te espero, noite afora.
E se viro a madrugada..
Não fazes nada.

Mundo.



Qual o tamanho do mundo?
Miúdo, parece um barracão.
Mundo, cada caminho uma ilusão.
Qual o teu mistério?
Me conta, qual dimensão?
       - Do tamanho da solidão.
Na América Latina,
da rede da minha varanda.
Anda,
mundo é grande.
É muito mundo pra um só coração.
Turvo, fico perdido na contramão.
Quero sonhos e aventuras.
Como um morador das ruas,
vou sem direção.
Muda, que é muito mundo.
Deixe, eu poeta vagabundo,
vou por becos e esquinas.
E nas minhas rimas
faço o sol brilhar.
Mudo, quero tudo.





Vou bem..

Parasitose,
escabiose..
enquanto mais uma dose
esquenta a noite.
E no calor de corpos alheios,
beijos, seios, herpes.
Como viverei sem receios?
É não viver.
Estranho.
Melhor mesmo é seguir o rebanho?
Viver cheio de não me toque.
Não gostar de rock.
Pode?
Um frio a mais e pronto,
a sinusite!
E mesmo que eu me excite,
não dá, me deu cistite.
Vou tentar olhar o mar.
Mas olha só: peguei conjuntivite.
Uma noite a mais no bar
vômito, ressaca, mal estar.
Cama, sono.
Assim eu abandono
e me jogo ao léu.
Desapego de tudo;
roupas remédios, horários.
E só me importa o céu.
Mas como ficar bem?
Só encostar e
HPV.
Vai entender.
Meu corpo frágil e trêmulo,
febril.
A sífilis uma ameaça constante.
Ai meu coração juvenil!
Corro, fico ofegante,
parece um peito sufocante.
Por mais que eu me permita
minha garganta irrita.
Fácil é se escapar
dessa vida.
Bala, vício, acidente
e máquinas mortíferas.
Fácil é ficar em casa
e escapar do fim.
O mundo tão doente
e os sintomas em mim.
E na t.v. vai tudo bem.
(eu sei..)


domingo, 4 de março de 2012

À minha mãe.

A minha menina não sabe o que tem.
Não sabe o que ela quer, além
de mudar toda hora sem nem
pensar em mais nada, em ninguém.
Agora anda solta, um astro, uma luz.
Alegre da vida, radiante, o ônus
É ver ela sem rumo, em perigo, um obus. 
Por isso pra ela essa canção eu compus.
Vaga na rua, inquieta, sozinha
a caminhar pouco fora da linha.
Tristeza não era da menina minha,
quem sabe então o que ela tinha?
Me diz ‘vou sair à noite’.
Vai, anjo querido, mas volte.
Não brinque com o tempo, com a morte,
já usou tanto a tua sorte.
Entendo tua aura, tua arte,
sei que quem cresce um dia parte.
Aparte disso me aperte,
não fiz mal nenhum em amarte.
Menina, indócil, tão doce..
Quem dera que antes fosse
sabor de outro gosto, outro amargo.
Cumpriria melhor o meu cargo?
O que me ocupava a mente
era você crescer diferente.
De não ser gente como outra gente.
Não pensei em você, no presente.
Menina, tanto medo que tive!
Da tua vontade de ser livre,
da tua raiva desvairada de fera.
Tua falta, excesso, não mais era
uma angustia de quem vive.
Minha menina perdida seria
simples, simplismente poesia
se eu deixasse o poço de rebeldia
gritar: alegria, alegria!

Para Manuel

Cuando pienso en ti, no me acuerdo de lo que me dijiste o pensaste. Me acuerdo más bien de tu cara cuando me tocabas como a una escultura hasta cada extremidad de mi cuerpo por donde pasaban tus labios y dedos. Recuerdo de nuestros momentos de éxtasis en que se me doblaban hasta los tendones y sentía que mi sangre se desviaba de las venas. Que ni siquiera me acuerdo de tus gustos sino de tu olor que me impregnaba las narices sofocándome a cada nueva respiración.  Pienso es en tu piel rozando la mía, como cuando estabas casi gozando y yo solo quisiera que te quedaras adentro para siempre. Pienso en tu sudor escurriendo por mis senos pero no me acuerdo de tu dolor, y de repente se me olvida que también me duele y que soy humana y casi como todas las demás. Cuando pienso en ti pienso en tu sonrisa, no me acuerdo que chaqueta llevabas puesta ni de cómo hablabas o bailabas. Pienso es en tus labios cuidadosamente pintados en acrílica y solo quisiera mirarlos y decirles que basta, que se queden quietos que mis ojos no soportan tanta belleza. No me acuerdo si tus ojos eran grises o marrones o azules, los pienso como cristales en un abismo que con mi miedo sentía el vértigo sobre mis ojos y tenía la certeza que era la muerte esperándome.  Como cuando los cerrabas y tus pálpebras se veían más anchas que de costumbre y me sentía de pronto más insignificante que lo normal y al mismo tiempo más grande y más fuerte. Pienso es en las doblas de tus manos que palparon cada milímetro de mi cuerpo y por donde sentí que recorrerían hasta la infinitud de la materia humana. No me acuerdo de adonde fuimos ni que hicimos ni que comimos. Recuerdo es de las manchas rojas de sangre sobre nuestro sexo y tú solo diciéndome que pilas que no ensuciara las sábanas nuevas. No me acuerdo que día fue eso, ni que tantas horas de la noche serian ni el mes ni el año en que estábamos. Solo me acuerdo que ese día tenias el pelo más corto que de costumbre y más limpio que de costumbre. Me acuerdo de la forma teatral que formaban tus labios terminando siempre con tu sonrisa pícara entremordida con tus dientes. Que parecía que de un impulso me quisieras comer y luego nomás mirarme y tú que siempre ibas de agresivo a suave con la rapidez de esos efímeros momentos. Que de repente hasta se me olvido tu nombre y ya no sé ni dónde vives o trabajas. No sé porque pero pienso en la alarma, en la maldita alarma que nos hacia despertar de un golpe súbito y notar que de veras no era un sueño y de pronto todo aquello sucedió. Pienso en ti riendo alto y a mí que se me hacía que en ese fugaz momento no existía dolor. No logro acordarme de que color eran las sábanas o el techo o de que estaba hecho el piso. Es que de lo que me acuerdo parecía que flotábamos y cada roce de tu dedo era una elevación hacia el cielo.  No me acuerdo de tus clases ni el proyecto ni nada de eso, no sé en qué teatro estábamos cuando a mí de repente se me olvidó actuar y sin embargo la película rodó como si nada. Solo sé que no me acuerdo de ti en esos momentos y que felizmente se me olvido porque simplemente no eras tú. Que repentinamente éramos actores con caras y bocas y disfraces que se volvían nosotros y entonces sentía que todo corría fluido y límpido como en un río por donde todas las aguas pasaron. Y es que quisiera acordarme de ti en los momentos más triviales, pero no puedo; siento la intensidad de nuestros cuerpos que se cruzaron y se fundieron y entonces mi cerebro se transborda sino con esas memorias y como de distraje se me escapa lo resto. Y es que quisiera enserio, pero la materia bruta fue más profunda hasta enclavarme en las entrañas y no puedo sino sentir el peso de tu cuerpo que me asfixió y mató a mi más liviano ser.

Espinho

Eu poderia congelar o tempo
naquele momento.
Você encostando sua boca sobre a minha.
Eu não podia acreditar.
Era tão irreal, tão verdadeiro,
tão ardentemente louco.
Eu não queria que aquilo acabasse,
assim, depois de tão pouco.
Não podia deixar
de sentir o teu cheiro.
Eu não podia acreditar
mas era tão verdadeiro!
Eu só queria te beijar, só queria te amar.
Eu queria era sonhar.
Assim, pra sempre,
nós duas juntas,
naquele momento.
Mesmo que fosse de brincadeira,
era um sentimento,
que por mais que você não sentisse,
estava ali, vivo.
Eu de volta sorrindo
e você,
ali, linda
com as bochechas rosadas.
Menina rosada dos meus sonhos.
E o teus lábios
ali, na minha frente,
ali, tão insistente.
A menina dos meus sonhos
se mostrara tão indiferente
à brincadeira do amor.
E de repente, eu me vi dependente
dos lábios rosados, do beijo doce,
das bochechas tão meigamente
pintadas de rosa.
Me vi dependente de algo que não podia ter mais!
Me vi dependente querendo demais.
Eu não podia mais te amar,
mas não podia deixar de pensar!
Não conseguia tirar o teu gosto da minha boca
mais.
Menina rosada,
me deixou atrapada
num amor que ela não podia me dar,
cancelado pelo amanhã.
Menina rosada,
Nem tudo eram rosas.

Canibal

Quero fazer-te ressoar
nas minhas rimas.
Tuas narinas a cheiro puro.
Ouvir teu corpo tão só ofegante
e as palavras no instante.
Tocar-te inteiramente,
sentir os pelos e as curvas.
Eu quero é te comer inteiro!

De graça.

Três da manhã,
minha mão nos teus seios.
Na varanda não há ninguém,
ele não vem.
Somos apenas meninas perdidas,
desiludidas pela vida.
Somos apenas jovens apaixonadas.
Somos putas.
Lá fora o vento sopra,
você tem medo.
 Não há ninguém,
apenas o nosso amor barato,
 maltratado, roubado,
vendido à troca de um pão.
 Apenas nossos orgasmos, juntas,
eu e você.
Não veio ninguém hoje,
 a casa está vazia..
E você tem um olhar triste,
mas me olha com desejo.
À espera de um beijo
sujo, de graça
amor que vem e passa,
errado.
Não posso te dar amor,
 mas ninguém chegou,
 estamos sozinhas.
 Tuas coxas entre as minhas
errado, mas bom.
Teus seios em minha boca,
tua voz me deixando louca.
 Somos putas!
Não podemos entregar-nos
de graça.
Somos jovens
perdidamente apaixonadas.
Somos inocentes.
 Misturamos as vaginas,
gritamos de tesão.
Somos livres,
 assim de simples.
Livremente presas ao desejo.

No sueño más

Las horas en la habitacíon son más largas que en el resto de la casa. Los minutos parecen siglos para mi pobre alma que anhela tu presencia. La noche se siente fría y yo aún más sola. Doy ligeros pasos circunscritos en un ansia suplicante por el calor de tus manos mientras me queman las entrañas y la náusea me revuelve el estómago. Después me encuentro revolcando por entre sabánas extrañas y colores opacos, sintiendo cualquier cosa antes desconocida e incluso ignorada. Difícil es dormir cuando tus uñas y dientes ausentes me clavan hasta la espina dorsal. Vacío, vacío, pero ni agua ni pan cuando mi sed lo que pide es tu saliva y el hambre ruega por tu carne viva. Mientras que yo, acostada en mi cama, tratando de llamar el sueño que se fue con la despedida. Difícil dormir si mis ojos no cierran porque quieren verte, si el corazón no se calma sin antes tenerte, dame un soplo de voz que calla mi mente. Es que aún en la oscuridad mis piernas ya se reconocen y hasta el momento mis manos no hacen sino llorar la ausencia de tus dedos.
Y no duermo, no duermo porque no sueño, porque la realidad cae en mí como piedra y me asfixia. Una, dos, tres pastillas para ahogarme en el sueño, pero no sueño. Ni tanto opio me quita la sobriedad porque no estás tú.

inefable

Como cuando me besabas y mi impulso era morderte los labios hasta sangrarlos. Que te quería tragar con tal voracidad y después vomitar todo tu resto, para nunca más volverte a ver. Que te amé con toda intensidad y por eso quise matarte aun más veces. Que había días en que no aguantaba y el desespero me sucumbía de tal forma que ni tu cara y ni tu voz me calmaba. Como en aquél sueño, la luz entrando por tu ventana, y te tiraste a comprar agua y yo ahí dije que sería el fin. Como cuando los ojos de ese edifício al frente nos vigilaban toda la intimidad y nos conocían más que nosotros. Tu tenias una desnudez púdica  y yo me absolví. Nos encontrábamos en el cuarto, desnudos y crudos con una sinvergüenza despreciable que solo la libertad ofrece. Y que después de mi locuacidad agónica en describir cada detalle entre nosotros no puedo sino terminar con una sola palabra: inefable.

revés

la vida es un intenso regocijo
ves
que sentido tiene que sea
al revés

Escribo, pienso, muero

Quisiera dormir, despertar, no soñar nunca más. Pero por el momento solo siento dolor.
Me acuesto en la cama y me hecho de viaje. El techo fondo y oscuro. Es que mi luz se desvanece con cada mirada profunda a la realidad. Las palabras flotan como pequeños pedazos de aire a mi débil mente. Y cada nueva mirada a la realidad es una cachetada a mi cara. Yo que alguna vez creí saber algo del mundo, yo que con mi prepotencia creí haberlo entendido. ‘Que ingenuidad la mía’, pienso.
Escribo para expulsar a mis demonios de adentro. Escribo porque no puedo hablar, porque me faltan las palabras y quizás a esa altura ya ni se como se habla.

Hoy camino por las calles, pero no quiero opio ni poesía, no, no por hoy. No por hoy que ya lo tuve demasiado. Que no sé de donde saque energías para pararme y actuar.  

Pienso en mi dolor. Lucho contra algo que ni siquiera sé lo que és. Lucho porque mi dolor simplemente sobrepasa cualquier ganas de una vida normal. Pensar es transgredir callado.

Hoy me desperté con ganas de no llorar y salir a vivir la vida de siempre, de todos. Solo quisiera una vida normal, una vida donde no tuviera que pensar tanto, porque una vida así duele demasiado y no se hasta que punto soy capaz de soportarlo. Y lloro, lloro porque no aguanto sentir tanto. Lloro porque no soy ni más diferente que nadie, porque soy nada y acepto mi insignificancia ante al mundo. Porque algún día trate de ser algo y ahora veo lo inútil e ingenuo de mi deseo.
Y quizás lo mejor si sea morir.

Entenda

Entenda
Eu queria viver bem no apartamento
Mas que culpa tenho eu
Da minha vontade de matar o professor.

Menino


Palavras tímidas.
Ele me chama.
Gostava quando me dava amor,
no sofá, na cozinha, na cama.
Um gemido baixo, quase mudo,
uma melodia suave.
Me tocava vergonhosamente.
Tinha pudor ainda,
o menino.
Estimulava o meu clítoris,
me penetrava tão devagar
sem dizer nada.
Com seu gemido suave,
um quase-orgasmo.
Gostava dele assim.
Da melodia na cama,
da poesia.
Gostava quando ele calava.
Da nossa rotina, da sua cara quase brava.
Ele, de dia dormia
e de noite, me amava.

íbamos por ahí...

Íbamos como de costumbre caminando por la 13. Él como siempre prendiendome las manos y yo tratando de soltarlas, de caminar libremente. Íbamos al centro, al bar ese de la señora gorda y buena gente. Era un jueves oscuro y frío como costumbran ser los días de Bogotá. O un martes, no me acuerdo. Caminábamos jugando a los besos y cachetazos como dos púberes en descubierta del amor. Aunque ya fuera algo grande, habia de hecho recién descubierto el amor. Él nose, poco fue que me contó sobre su pasado y todo lo que sabía eran nombres y quehaceres de tantas mujeres desconocidas. No sé si fueron importantes y tampoco le pregunté. Habiamos hablado tantas veces sobre el pasado pero nunca sobre los amores, quizás no le importase tanto. Pues bien, de esa noche me acuerdo de la gente del bar, de las cervezas. No se porque pero siempre íbamos a tomar en el mismo chuzo. Habia algo de magico y sombrio en ese lugar. Encontrabamos artistas, punketos, cirqueros. Todo tipo de gente de lo mas loca. Besos, saludos, que tal parcero!- cada día era una aventura. Ir resbalandose en las sillas y mesas y conocer cualquier persona. Qué más amigo, un traguito, un garrito, le gusta el perico? Y encontrarse con el mas diverso tipo de gente en el chorro. Malabares, payasos, sombreros y magia. Habia porfin conocido la vida. Y después regresar a su casa y soñar mas una vez. Dormir tranquilos y despertar dispuestos. Esa era la vida. Podríamos pasar días y noches en el mismo sitio y sin embargo sentir todo tan diferente. Cada dia, cada segundo, repleto de fantasia y emoción. La vida afuera se nos pasaba y poco nos dabamos cuenta. Nos encerramos en un mundo completo y fascinante. Que importaba saber si el sol indicaba un nuevo dia? Que importaba dormir temprano si no teniamos que levantar al dia siguiente? Todo eso eran cosas infimas al lado de lo grandioso que era estar alli, viviendo todo eso. Que importaban los juanes, las marias, el trabajo y los dias si nos teniamos a nosotros y estabamos al fin en paz. Que miedo pudiera tener yo al mirarlo a los ojos y sentirme acogida sin tener que decir una sola palabra? Que rabia, odio o desprecio le pudiera tener al mundo si todo era perfecto y lindo? Que muerte pudiera esperar yo mas que un tranquilo adiós del paraiso de edén?

Ela

Ela,
sonhei com ela tantas noites.
A vi pintada de carmim
pra mim.
Bebi por ela tantas vezes,
comemorei até no fim,
no nunca mais.
Até quando o tempo nos separou
e já não era mais como quando tinhamos quinze anos
e o tempo não existia pra nós.
E tudo era tão simples, sim.
E tudo era tão belo,
azul do oceano.
Parecia poesia,
matando aula na escada.
Sabiamos quase nada.
De quando em vez ela dormia
do meu lado
calada.
E tal e vez meu mundo parava.
Meus olhos não aguentaram tanta beleza,
tive até que chorar, sabe.
Sabiamos quase tudo de nada.
E eramos jovens
e eramos sábias
e a vida não era contada
por despertadores.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

dias, noches..

No sabíamos si era día o noche y tampoco nos importaba saberlo. Los días pasaban y a mi se me olvidaba que había todo un mundo afuera con gente y árboles y días que se volvían noches y nos obligaban a dormir encerrando en un guiñar de ojos todos los sentimientos. Como si tuviéramos que ocultarlos bajo una máscara y vivir la vida de siempre, de todos. Quisiera entonces que mi guiñar de ojos fuera eterno, como si la dificultad de abrirlos se resumiera a una simple mirada, a una sonrisa, a los ojos tuyos siguiéndome por doquier que fuera. El hecho es que no era necesario abrirlos nunca más cuando me deparaba contigo, cuando el sentir se hacia más grande que el ver y entonces en mi cerrar de ojos me daba cuenta de que estuviera ciega todo una vida.