segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
vaga
vagas, vagas, incessantes procuras e nao achas. aonde estara aquela doce criatura? dormes, acordas, calada. nao ha nada no mundo que te faca esquecer. sentas, escreves, apagas. nada. um gosto amargo de cafe te desce a boca, mas nao tragas. nao aceitas nem tampouco falas. o que fazer? palavras enrustidas que te ardem. silencio. o quarto aceso e teu cigarro. um retrato. o desespero a ponto de sucumbirte e nao aguentas. que vas torturas teram te desgastado? poes a roupa, escada a baixo, e la fora nao enxergas nada. passos, vozes, sera ela? a ves em todo mundo. as bocas rosadas, caras debochadas, rindo de voce. o que teria te levado a tal loucura? corres, gritas, e no entanto calas. nao, ninguem pode saber. que sentimento mais doloroso esse de perder a pessoa amada! a noite uiva nas ladeiras e te inquieta. o frio machuca, labios secos. de repente, um som de violino. de onde vem? andas depressa e la ves, um bar atipico; senhores em traje fazem friccionar as cordas. cheiro suave de melancolia. um passo adentro, porque nao? afora nao haveria mais prazer. ah, a musica! te lembrava ela. daquelas tardes cinzentas em que o vinil rodava. daqueles dias quando nao existiam horas. ah, doce ar pueiril da juventude! o tempo calou e te restava o pensamento.
" porque insistir? a noite se espalha e leva as folhas. tudo vai embora. e te desgastas, te maltratas. sentes mais do que o tempo pede. menina, uma pena nao te dares conta! quanta vida se passava e nem vias?"
enfim vais-te embora. no caminho o sol nasce. ves novos passos e a cidade acorda. pernas cansadas e olheiras, parecem sonolentas. eis ai que percebes; tampouco estavam elas preparadas, apenas continuavam. devagar, indo pra qualquer outro lugar. e tu que tinhas medo. tu, que hesitavas ao acaso, que desafiavas as estacoes. tao inocente na tua fantasia! te adentras o quarto mais calma. agora sabes. agora nao eres mais a de ontem. deitas, dormes, sonhas no teu opio otimista. acordas e mais nada.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário